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Ideias Inatas, o Passado Adormecido

O que fomos em outras encarnações?

Muitas pessoas já devem ter se perguntado o que teriam sido e feito em encarnações passadas. Essa curiosidade é natural, mas em determinadas situações é bom mesmo nem saber. Há alguns anos um famoso confrade ao ser inquirido sobre isso respondeu que para esclarecer essa questão basta que a pessoa veja quais são as suas tendências nesta presente existência.

Uma vez que a nossa evolução – quando acontece – ocorre de forma lenta, não conseguimos ser muito diferentes nesta encarnação em comparação com as últimas. André Luiz no livro No Mundo Maior ensina que “não somos criações milagrosas destinadas a um adorno de um paraíso de papelão. Somos filhos de Deus e herdeiros dos séculos, conquistando valores de experiência em experiência, de milênio a milênio”.

O Criador na sua infinita sabedoria e bondade não permite que lembremos de nossas encarnações passadas pois como ensina Kardec em O Evangelho segundo o Espiritismo no capítulo V, item 11, Esquecimento do Passado, “Deus entendido de lançar um véu sobre o passado, é que há nisso vantagem. Com efeito, a lembrança traria enormes inconvenientes. Poderia em certos casos humilhar-nos singularmente, ou então, exaltar-nos o orgulho, e assim, entravar o nosso livre arbítrio. Em todas as circunstâncias, acarretaria inevitável perturbação nas relações sociais. Frequentemente, o Espírito renasce no meio em que já viveu, estabelecendo de novo relações com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes haja feito”.

Porém, O Livro dos Espíritos no capítulo II, livro IV, em seu título “Ideias Inatas”, encontramos um importante ensinamento. Devemos considerar o significado da palavra “inata” como algo inerente, inseparável. Assim, todos nós temos essas ideias, traduzindo-se em uma vaga lembrança embora inconsciente daquilo que vivenciamos no passado, os conhecimentos adquiridos e as experiências de outrora que se manifestam nesta vida. Assim, se formos médicos, o exercício dessa profissão é algo inerente a nós e, portanto, voltamos nessa mesma condição na vida atual.

Podemos voltar ainda melhores que nas encarnações passadas se no plano espiritual, na erraticidade, aproveitamos a oportunidade para estudarmos e nos aperfeiçoar. A evolução se dá em dois mundos, no material e o espiritual. Neste último, a possiblidade de se obter mais conhecimentos inimagináveis é uma realidade, bastando para isso que o espírito mostre-se disposto a tanto. Dessa forma, podemos voltar em uma condição melhor. Usando ainda o exemplo do médico, esse pode tornar-se um profissional ainda mais talentoso com especialidades superiores às que tinha.

Os gênios e os prodígios

O extraordinário maestro Giacomo Puccini, compositor das famosas óperas Tosca, Lá Bohème, Madame Butterfly e Turandot nasceu em Lucca na Itália em 1858 e desencarnou na Bélgica em 1924. Pertencente a uma família de cinco gerações de música, em encarnação anterior, já como Puccini, nascera na mesma cidade de Lucca em 1701 e partira em 1781. Era compositor de musica sacra, sem preocupar-se em compor outros estilos musicais. Três dias antes de morrer, um amigo perguntou a ele o porquê dele não compor óperas, e como resposta prometeu a esse amigo que se um dia voltasse a esse mundo assim o faria. Não só cumpriu a promessa reencarnando como Giacomo como também conseguiu tornar as suas óperas conhecidas mundialmente e interpretadas várias vezes.

O conhecido e já desencarnado espírita Jorge Rizzini recebeu mediunicamente há muitos anos uma obra de Puccini chamada “Dolce Maria” feita em homenagem a Chico Xavier, que tanto amava a mãe de Jesus.

Podemos optar por exercer profissão distinta das últimas encarnações até porque isso permite ao espírito que ele venha a adquirir mais conhecimentos, vivenciando novas experiências. Porém, o que aprendemos não se perde jamais, ficando gravado no nosso subconsciente.

Atribui-se a pessoas que têm enorme relevância em seus campos de atuação a alcunha de gênios. Longe de serem pessoas privilegiadas por Deus, são espíritos que se esforçaram, trabalharam e estudaram muito, mais do que os outros e, por isso, atingiram esse nível. São seres dotados de intelecto de primeira grandeza com habilidade de raciocinar, planejar, resolver problemas, aprender rápido e entender as coisas rapidamente. Pelo fato de terem estudado muito, desenvolveram mais a sua inteligência. Quando se manifestam na primeira infância, são chamados de prodígio.

A história da humanidade está repleta de exemplos de personalidades que são assim consideradas:

Frédérick Chopin (Polônia, 1810 – Paris, 1849) aos 7 anos de idade compõe duas polonesas, músicas típicas da Polônia, e aos 8 anos deu o seu primeiro concerto público; Wolfgang Amadeus Mozart (Áustria, 1756 – 1791) começou a compor aos cinco anos de idade. Apresentava-se para a realeza e deixada a todos maravilhados com o seu talento.

Alguns outros personagens famosos são considerados gênios. Vejamos alguns deles: Albert Einstein (Alemanha, 1879 – EUA, 1955) aos quinze anos de idade já dominava álgebra. Trouxe ao mundo a teoria da relatividade que possibilitou o desenvolvimento da energia atômica; Thomas Edson (EUA, 1846 – 1914) empresário, inventou o fonógrafo e a lâmpada elétrica; George Westinghouse Jr. (EUA, 1846 – 1914) inventou o freio a ar comprimido para locomotivas e o sistema de distribuição de energia elétrica.

Obviamente que nesta galeria outros nomes poderiam ser citados, entretanto, deixemos para o leitor dessas linhas o desafio de pesquisar outros gênios que na Terra encarnaram. Espíritos esses que trouxeram à lume importantes conhecimentos que tanto ajudaram no progresso de nossa humanidade.

Por Gilson Tadeu Pereira

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