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O Passe – Muito Mais do que uma Simples Impostação de Mãos

Diariamente, um enorme contingente de pessoas procura as casas espíritas com a finalidade de tomar um passe. As razões para tanto são muitas, problemas de saúde, busca pelo bem-estar em geral ou tratamento espiritual. Entretanto, importante destacar que o passe é algo muito abrangente e profundo, pois é uma doação fluídica do passista ao paciente, junto com a presença de uma entidade desencarnada que também doa os seus fluidos benéficos à pessoa atendida.

Excetuando-se os casos onde há vidência, o paciente só vê o passista. Este, por sua vez, tem uma enorme responsabilidade pois está ajudando ao semelhante na solução de seus problemas, sejam eles físicos ou mentais. Assim, o passista precisa melhorar-se intimamente de uma forma continuada, ter bons pensamentos, ser emocionalmente equilibrado, deve combater e superar as suas falhas morais, se ainda as tiver tais como o orgulho, a vaidade, o egoísmo e outras. Por outro lado, deve ter uma alimentação sadia, longe de excessos à mesa, não ingerindo carne no dia do trabalho e evidentemente não ingerir bebidas alcóolicas e muito menos fumar, para que assim possa manter seus fluidos limpos, sem saturação de toxinas, estando apto para a doação aos necessitados.

O passista pode ser chamado a qualquer momento para ministrar um passe, mesmo fora da casa espírita, por isso que é muito importante estar sempre com o seu organismo limpo. Entretanto, lembramos que o local adrede preparado para que se ministre o passe é o centro. Ele pode ser dado fora da instituição em casos raros, quando se tem a certeza de que o recebedor do benefício não está passando por um processo obsessivo pois, neste caso, a entidade obsessora pode manifestar-se causando uma situação muito delicada.

O passista não é um ser especial, a atividade pode ser realizada por pessoas de boa conduta moral, distante de vícios e viciações e que tenham muita vontade de ajudar ao semelhante. Obviamente que é necessário o estudo e a preparação para exercer a tarefa, e as casas espíritas dão todo o suporte por meio de curso específico.

Quanto aos pacientes, ou seja, aqueles que vão receber o passe, estes deverão entrar em sintonia vibratória a partir do momento que adentram ao centro, mantendo-se em prece. Quando recebem o passe, deverão fechar os olhos, rezar o Pai Nosso e mentalizar o mestre Jesus. Com isso, estarão mais receptivos ao passe e ajudarão na boa vibração do ambiente, não esquecendo jamais de trazer em seus corações um ingrediente imprescindível: a fé.

A Notável Colaboração de Mesmer

O alemão Franz Anton Mesmer (1734-1815) foi um médico, teólogo, filósofo e profundo pesquisador no campo do magnetismo animal, mais tarde como forma de evidenciar o seu edificante trabalho, o mesmo ficou conhecido como “mesmerismo”.

Mesmer começou seu trabalho clínico em 1774, quando o hábito de usar imãs como tratamento para o corpo estava muito em voga. Ele friccionava imãs sobre o local onde o corpo apresentava enfermidade e depois, colocava algumas outras em bolsinhas de couro e pedia que os pacientes as colocassem no pescoço. Também promovia a magnetização da água, taças e outros objetos por fricção. 

Depois, mudou a metodologia e passou a usar as próprias mãos desprendendo delas o fluido magnético, ou fluido vital, para ajudar na cura dos males orgânicos das pessoas. Tal ação tornou-se a precursora do passe, terapia tão utilizada nas casas espíritas.

O brilhante cientista afirmava com toda a razão que “de todos os corpos da natureza, é o próprio homem que atua com mais eficácia sobre o homem”.

Desacreditado pela comunidade científica que desdenhava de sua teoria da cura pela imposição de mãos, ele prova a eficácia da mesma quando em 1777, trata e consegue proporcionar uma substancial melhora da cegueira da renomada cantora e pianista Maria Theresa Paradis. Todavia, por interesses outros, tais como a possibilidade de a artista perder a sua pensão por invalidez, Mesmer foi afastado, tendo sido o tratamento interrompido e, como consequência, a cegueira acabou por retornar.

Allan Kardec, o codificador, interessou-se pelo estudo do magnetismo desde 1820. Bem mais tarde, em 1858, ele reconheceu que o magnetismo havia preparado o caminho para o Espiritismo e que os rápidos progressos da nova doutrina eram devidos aos estudos de Mesmer.

O codificador publicou vários artigos sobre o magnetismo na Revista Espírita, afirmando que “o Espiritismo está amplamente ligado ao magnetismo, e que os espíritos sempre recomendaram a utilização do mesmo como meio de cura”. Assim, a adoção dos passes magnéticos e fluidificação das águas pelo movimento espírita não é uma simples prática advinda dos estudos de Mesmer, pois Kardec sempre estudou e ensinou sobre a realidade da ação e da contribuição dos espíritos no tratamento magnético, adicionando a essa atividade o conhecimento sobre os fluidos. 

Os Fluidos

Para melhor compreensão, é preciso que definamos o que são os fluidos, a começar pela observação que a pronúncia correta da palavra é “flúido“.

Allan Kardec definiu os fluidos como sendo o veículo do pensamento, a atmosfera ou ambiente dos seres espirituais. Através de seu pensamento, os espíritos utilizam-se dos fluidos, dão a eles uma direção, portanto basta ao espírito pensar em alguma coisa para que essa ganhe uma forma. É também uma substância sutil, maleável, imponderável e energética.

O Fluido Magnético e o Fluido Cósmico Universal 

É um fluido ou energia radiante, o originário do fluido cósmico universalsob a forma deprincípio vital.O fluido magnético é também chamado de fluido elétrico, animalizado ou fluido nervoso. O fluido vital é um fluido intermediário existente entre o espírito e a matéria. Fluido magnético é a mesma coisa que fluido vital.

Agora há pouco aludimos sobre o fluido cósmico universal, lembramos que Deus é a inteligência suprema, é fonte, a origem de tudo o que existe, minerais, vegetais, animais, homens e o espírito imortal.

Allan Kardec faz a definição em A Gênese, no capítulo 14: “é a matéria elementar primitiva, cujas modificações e transformações constituem a inumerável variedade dos corpos da natureza”. Em outras palavras, ele é a matéria primitiva a partir da qual todas as outras coisas se formam.

André Luiz, no livro Evolução em Dois Mundos a ele se refere: “nessa substância original, pela vontade de Deus operam as Inteligências Divinas a ele agregadas. Essas inteligências gloriosas tomam desse fluido e convertem-no em habitações cósmicas, surgindo nas galáxias as organizações estelares, os sóis, os planetas, como vastos continentes do Universo”.

A Complexidade Envolvida no Passe

Ao entrarmos na parte científica do assunto, vamos entender todo o aparato existente por trás de um passe, vindo a evidenciar a extrema importância e profundidade que o mesmo representa. O fluido magnéticoou fluido vital, fornece princípios reparadores ao corpo, assim, o espírito encarnado (o passista) junto com um espírito desencarnado, são os agentes propulsores que transmitem a um corpo determinado (o paciente) uma parte da substância de seus períspiritos, desta forma a energia magnética ou fluido vital, transmitida atua no períspirito do beneficiário (o paciente) e daí chega no seu corpo somático (o corpo físico), passando-a para os chamados centros vitais, conforme denomina André Luíz em sua obra Evolução em Dois Mundos.

Na termologia oriental, eles são chamados de chacras, palavra que vem do sânscrito, cujo significado no singular é “roda”.

Considerações sobre o Perispírito

Na extraordinária civilização do Egito antigo, o perispírito era chamado de Kha.

Aristóteles, o famoso filósofo grego, considerava-o como corpo sutil e etérico.

Paulo de Tarso, o apóstolo dos gentios, chamava-o de corpo celeste.

Os budistas o chamam de kuma-rupa, os chineses de Khi, e os hindus de mano-maia-kosha.

Com o advento da doutrina espírita, o perispírito foi devidamente estudado e explicado. 

O ser humano é composto por uma tríade: espírito, períspirito e corpo físico. Allan Kardec define o que vem a ser o períspirito, termo criado por ele, no item V da introdução de O Livro dos Espíritos: “ele une o corpo físico ao espírito, é uma espécie de envoltório semimaterial. A morte é a destruição do corpo físico. O espírito conserva o períspirito, que para ele é um corpo sutil, invisível para nós no estado normal, mas que pode ser visível ou tangível, como acontece nas aparições”.

Prossegue o codificador no livro Obras Póstumas: “é mais ou menos etéreo, segundo os mundos e o grau de depuração do espírito, nos mundos e nos espíritos inferiores, ele é de natureza mais grosseira e se aproxima muito da matéria bruta. Já nos mundos superiores esse envoltório se torna tão vaporoso, que para vós é como se não existisse. Tal é o estado dos espíritos puros”.

Emmanuel, o notável guia espiritual de Chico Xavier, em prefácio do livro Mensageiros da Luz, afirma que “o perispírito não é um corpo de vaga neblina, e sim organização viva a que se amoldam as células materiais”.

O períspirito também dá forma ao espírito, este sem o mesmo é como uma centelha, uma fagulha. Nele se encontram todos os órgãos e estruturas biológicas necessários à vida no corpo físico, por isso é considerado como o modelador do corpo, pois transmite as sensações do corpo físico para o espírito, que dele prescinde quando não mais precisa reencarnar ao atingir a evolução necessária para tanto.

O períspirito é ainda uma espécie de arquivo de memória das atitudes da criatura, que ficam ali registradas. Assim, os vícios que agridem o corpo físico ficam gravados trazendo problemas nas futuras existências, pois nele se encontram todos os órgãos e estruturas biológicas necessários à vida no corpo físico. Exemplificando: um fumante deixa marcas no mesmo, que refletirão na próxima encarnação, podendo a pessoa vir com problemas respiratórios ou cardíacos.

Os Centros Vitais

Todos nós possuímos os centros vitais, ou centros de força, como comumente são referidos. Cada um deles desempenha um papel extremamente importante, e tem cores específicas. Se vistos, apresentam-se como pequenos vórtices, redemoinhos de energia vital, girando em alta velocidade. São eles:

  1. Coronáriolocalizado no alto da cabeça, sua cor é violeta ou dourado. É este centro de força que permite a ligação do ser com o plano espiritual. Responsável pelo pensamento, comanda os demais centros de força, ao receber os estímulos do plano superior. Transmite a corrente de energia vitalizante formada por estímulos espirituais aos demais centros de força, bem como os reflexos dos nossos sentimentos, ideias e ações.
  • Frontal: localizado na fronte, sua cor é azul índigo. Responsável pela vidência e audiência no plano astral. É também responsável pela clareza do raciocínio e pela percepção intelectual. Exerce enorme influência sobre os demais e tem como função principal desenvolver no homem o ser interior, a intelectualidade e a evolução espiritual. 
  • Laríngeo: na altura da garganta, sua cor é rosa ou azul celeste. É o responsável pela energização da boca, garganta e órgãos respiratórios. Pessoas que tem o dom da oratória, tem esse centro de força naturalmente mais ativado. 
  • Cardíaco: na altura do coração, é o controlador e o regulador das emoções, comanda os sentimentos. É neste centro de força que se ligam por um fio fluídico os mentores da casa e os próprios dos passistas. Sua cor é verde.
  • Umbilical ou Esplênico: na altura do baço, tem a cor amarela, e é por este centro de força que o ser assimila as vibrações boas ou ruins. Encarnados também podem ser sugadores de energias, através de seu padrão de comportamento, notadamente as pessoas queixosas, ou ainda, as que não tem uma conversa construtiva, sadia, dando destaque para doenças e ocorrências funestas. Para tanto, recomenda-se que ao conversar com pessoas que tem esse perfil, que se cubra o umbilical com a mão a fim de não permitir que as energias sejam drenadas ou que as negativas possam atingir ao ouvinte. 
  • Gástrico: localizado no abdômen, logo abaixo do esplênico, é responsável pela digestão e absorção dos alimentos e sua cor é o amarelo. É neste centro de força que se opera a ligação fluídica dos espíritos sofredores e obsessores, que por sua ação, tornam a pessoa debilitada, ao procurar tirar a energia vital da criatura.
  • Genésico: de cor laranja, é o centro de força responsável pelos órgãos reprodutores, na modelagem de novos corpos físicos. Caso o ser não o utilize somente para a satisfação de seus desejos inferiores, este centro serve também pelos estímulos criadores voltados ao trabalho edificante no campo das pesquisas nas áreas de ciência e tecnologia, com vistas a trazer benefícios à humanidade, desenvolvendo remédios, vacinas e também construindo aparelhos e máquinas. 
  • Básico: este centro de força, cuja cor é o vermelho sangue, está localizado na base da coluna vertebral, é o responsável pela absorção da energia telúrica, energia essa que vem do solo. Este centro de força tem também como função o estímulo direto da energia do corpo e na circulação do sangue. 

Como podemos depreender, vimos o quanto é abrangente todo o processo que envolve o passe, que traz na verdade um enorme envolvimento que transcende, e muito, toda a simplicidade de sua aplicação.

Por Gilson Tadeu Pereira

Bibliografia

  • O Livro dos Espíritos de Allan Kardec 
  • Evolução em Dois Mundos de André Luiz, psicografia de Chico Xavier 
  • Missionários da Luz de André Luiz, psicografia de Chico Xavier
  • Obras Póstumas de Allan Kardec 

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