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REENCARNAÇÃO, UMA GRANDE CHANCE PARA A EVOLUÇÃO

COMO SE PROCESSA, TIPOS, PROVAS E EXPIAÇÕES

Reencarnação nos Diferentes Mundos

Ensinam os espíritos que a Terra não é o único planeta habitado na vastidão do Universo. Nosso planeta é classificado como de expiação e provas, onde o mal é muito presente, muito atuante, como podemos observar. Ainda convivemos com guerras motivadas pelo desejo de dominação, pelas diferenças étnicas e religiosas, e movidas pelo ódio e o desejo de vingança. O homem chafurda na imoralidade, na perversão, nos crimes bárbaros. Epidemias e pandemias vez ou outra ceifam milhares, milhões de vidas. Doenças estranhas acometem a muitos.

Nós não estamos, porém, fadados a reencarnar eternamente nesse nosso lindo planeta azul. Faremos uma síntese das perguntas 172 a 188 constantes no O Livro dos Espíritos esclarecendo sobre o tema.

Nem todas as reencarnações são feitas na Terra, mas para passarmos para um mundo superior, seria preciso que estivéssemos muito mais adiantados moralmente do que estamos. Nossa permanência na Terra demonstra nosso apego às coisas da matéria, e nossa enorme distância da perfeição.

Podemos, ainda, ter experiências na carne em planetas mais inferiores, caso não tenhamos o mérito de ao menos permanecermos aqui, para tanto o progresso moral é o objetivo a ser alcançado. Importante lembrar que a Terra passa por uma transição planetária, onde está deixando de ser um planeta de expiação e provas para tornar-se um mundo de regeneração, e só ficarão nele almas encarnadas que tiverem condições para tanto.

A Crença da Metempsicose

A etimologia da palavra metempsicose vem do grego, sendo uma junção de meta=mudança e psique= alma. É uma crença muito antiga surgida na Índia, alcançando o Egito e depois a Grécia, trazida por Pitágoras. Segundo a mesma, a alma depois de deixar o corpo físico vai ao Império dos Mortos, para depois voltar animando um novo corpo de um homem ou de um animal. Mesmo admitindo a realidade da reencarnação, a crença da Metempsicose peca em um ponto muito importante, justamente no fato de que caso fosse possível a volta do espírito humano no corpo de um animal, isso seria um retrocesso, e como ensina o Espiritismo, o espírito pode estacionar, mas não regride jamais, conforme comentário constante na pergunta 118 de O livro dos Espíritos.

Os espíritos também nos ensinam que a reencarnação é um processo contínuo, e que a alma humana nada tem de comum com a alma dos animais. Cada espécie evolui dentro da sua própria espécie.

O Processo de Reencarnação, Esquecimento do Passado e a Escolha das Provas

Tudo é planejado e organizado com perfeição no Plano Maior. O espírito André Luiz informa no livro Missionários da Luz sobre a existência nas Colônias espirituais, do Departamento de Planejamento de Reencarnações, onde atuam os por ele chamados Construtores Espirituais, amoráveis entidades e incansáveis trabalhadores na colaboração dos planos de volta dos espíritos à nova experiência no corpo físico, amparando e acompanhando-os sempre.

O processo de reencarnação de um espírito não é igual para todos, pois sempre dependerá da condição de cada um. Porém, todos que voltam à vida na matéria passam por um processo de redução perispiritual, isto é, o espírito que está na forma adulta, precisa literalmente ter o seu tamanho diminuído para que possa animar o corpo de um bebezinho. Entidades magnetizadoras realizam essa tarefa.

Durante esse processo, o espírito vai se esquecendo da sua vida pregressa, e ao reencarnar nada lembra da sua existência anterior. Esse esquecimento do passado é necessário justamente para que as relações entre os homens não sejam ainda mais difíceis, pois se por exemplo, pudéssemos reconhecer um desafeto nosso, haveria um grande constrangimento. Deus entende que assim é melhor para nós, porém, fatalmente vamos encontrar aqueles com os quais temos alguma pendência, contudo é justamente na convivência com eles é que poderemos superar o nosso passado de confrontos, tendo a chance de obter a reconciliação através do perdão. Porém, o que se aprendeu, ou vivenciou, em outras encarnações jamais fica perdido, como veremos a seguir.

Em O Livro dos Espíritos (capítulo II, livro IV), em seu título Ideias Inatas (inerentes, inseparáveis)aprendemos que temos uma vaga lembrança embora inconsciente daquilo que vivenciamos no pretérito, pois os conhecimentos adquiridos nas existências passadas, levam na maioria das vezes a uma repetição daquilo que fazemos nesta presente encarnação. Assim, caso tenhamos sido médicos, provavelmente seguiremos novamente essa profissão, para aperfeiçoamento.

Definindo o Que Vem a Ser Provas e Expiações e os Tipos de Reencarnação

Não podemos abordar o tema reencarnação sem definir o que vem a ser provas e expiações.

  • Provas: são testes e obstáculos a serem vencidos, e a possibilidade de realizar nesta vida coisas que deixamos de fazer no pretérito. Por outro lado, a prova consiste também na posse da riqueza, fama, beleza, vida fácil, ou a convivência com a pobreza ou vida de dificuldade intensa. O desafio consiste no fato de como o indivíduo irá conviver com isso, tendo que estar sempre vigilante para evitar os arrastamentos pelo quais poderá deixar levar-se.
  • Expiações: são situações em que o espírito vem em uma condição difícil, normalmente portador de doenças físicas e mentais, às vezes com quadros de moléstias irreversíveis em função de graves erros cometidos no pretérito, neste caso, servem como exemplos o caso de Jésus Gonçalves (ver artigo neste site: Jésus Gonçalves da Agonia à Redenção); e de Jerônimo Mendonça Ribeiro (ver artigo neste site: Jerônimo Mendonça Ribeiro, a Redenção de Um Espírito). No livro O Céu e o Inferno, há o relato do sofrimento do menino Marcel, de apenas 8 anos, padecendo de grave enfermidade deformante, o corpo em chagas, trazendo ao pequeno, sofrimentos atrozes, como reflexo de sua encarnação anterior, quando possuidor de beleza física e riqueza. Orgulhoso ao extremo, renegara a Deus e havia prejudicado o semelhante. Aos 10 anos desencarna, conseguindo, através dessa expiação, redimir-se de suas faltas.

Podemos de uma forma bastante objetiva, classificar os tipos de reencarnação existentes.

  • Compulsória: espíritos que pela sua inferioridade ou má vontade, porque são muito apegados à matéria, trazendo muito vícios, rancores, obsessões e vibração moral baixíssima, ainda presos à prática do mal, encontram-se em um baixo grau de evolução espiritual, assim resistem em voltar pois não conseguem avaliar o quão benéfico seria a experiência na matéria com o objetivo de fazer-lhes progredir. Assim, a reencarnação é imposta a eles, porque não têm condições de escolher, visando sempre a retomada do caminho evolutivo.
  • Voluntária ou Proposta: espíritos em uma condição evolutiva mediana, nem totalmente maus e nem totalmente bons, possuem o discernimento necessário facultando-lhe a consciência de escolher as provas pelas quais irão passar, e aceitam de bom grado as sugestões relativo às condições em que deverão vir.

No livro Mensageiros da Luz, de autoria do espírito André Luiz, há o registro de alguns casos exemplificando essa modalidade de reencarne. Anacleta falhara horrivelmente em sua última encarnação na educação de seus quatro filhos, vítimas de sua imprevidência e vaidade, na verdade não os amara verdadeiramente. Era uma pessoa desmiolada, deixando-se levar pelo deslumbramento pessoal. Por conta disso, seus filhos perderam-se em desregramentos físicos e morais. Preparava-se para o reencarne quando seria novamente mãe daqueles quatro espíritos que viriam em condições deploráveis, dois deles com problemas de locomoção, um com problemas mentais e a jovem com graves problemas físicos. Ela por sua vez, optara por não possuir a beleza física que outrora ostentara, como forma de refrear os possíveis deslizes e dedicar-se inteiramente aos filhos.

Silvério estava em preparo para uma nova experiência na matéria, mediante proposta feita pelos Construtores Espirituais, apresentaria em novo corpo denso um defeito na perna como forma de evitar as suas manifestações de natureza inferior, dando assim a ele motivos para preocupar-se com tal dificuldade, servindo de antídoto para a sua enorme vaidade.

Um outro espírito, de nome não revelado, escolhera voltar com uma úlcera, pois em encarnação passada assassinara um homem, a doença trará para ele grandes sofrimentos, até o momento de seu desencarne.

  • Missionária: para aqueles espíritos já possuidores de alto grau de pureza e elevação. Renascem com o objetivo de fazer auxiliar no progresso de seus irmãos menos evoluídos. Esses espíritos em função de sua condição evolutiva, quase dispensam a ação dos Construtores Espirituais.Podemos exemplificar, citando Moisés, Francisco de Assis, Gandhi, Chico Xavier, e é claro, Allan Kardec.

A Aproximação com os Futuros Pais

O espírito em processo de reencarnação liga-se magneticamente aos futuros pais, em alguns casos mesmo antes da concepção. Na grande maioria das situações, o espírito volta no seio da mesma família, pois já conhece os pais de existências pretéritas, e tem por objetivo a evolução conjunta. Ninguém reencarna por acaso, ou nasce no lar errado. Importante destacar que o espírito sente todas as emanações oriundas dos pais, assim, é preciso que seja querido e amado, notando a alegria com que está sendo esperado. Além disso, é de fundamental importância que o ambiente de seu futuro lar seja um local onde os preceitos cristãos sejam seguidos, reinando a harmonia, a compreensão e o amor.

Aos pais cabe a nobre tarefa de educar esses espíritos que vem como seus filhos, cortando as suas más tendências, toldando o caráter para fazer deles pessoas de bem e devem estar sempre atentos ao processo de crescimento dos pequeninos acompanhando-os de perto, sem permissividade, dialogando sempre, impondo limites e passando valores, assumindo de fato todas as tarefas que envolvem a paternidade ativa.

A Nova Geração, os Espíritos que Estão Vindo

Allan Kardec, no livro A Gênese, no capítulo XVIII, traz importantes ensinamentos aqui resumidos. O Codificador afirma que “para que os homens sejam felizes sobre a Terra é necessário que a mesma seja povoada apenas pelos bons espíritos, e que aqueles que recalcitram no mal, serão degredados para mundos inferiores. A Nova Geração de espíritos devendo fundar a era do progresso moral, distinguem-se por uma inteligência e razão geralmente precoces, com um sentimento do bem e das crenças espiritualistas denotando um certo grau de adiantamento interior”.

A partir do início da década de 1980, esses espíritos começaram a reencarnar de uma forma mais acentuada, despertando a atenção sobre eles na questão de seu desenvolvimento rápido e comportamento surpreendentes conforme podemos observar nas nossas crianças de hoje. Já a partir da condição de recém-nascidos, demonstram aquilo que os agrada ou irrita, fazendo-se entender e atentos a tudo que os rodeia. Eles estão chegando para ajudar na Transição Planetária, tornando a Terra um planeta de Regeneração, onde o bem prevalecerá sobre o mal.

Joanna de Ângelis, Chico Xavier e Kardec: Quem Foram no Passado?

Precisamos sempre ter muito critério e prudência quando aludimos às encarnações passadas principalmente no tocante às grandes figuras do Espiritismo. Em uma época de grande agilidade nas comunicações, onde as informações nos chegam em impressionante velocidade, mais do que nunca o bom senso e o raciocínio lógico devem prevalecer, separando o real do imaginário e do fictício. Assim sendo, estamos seguros para narrar os casos a seguir.

Joanna de Ângelis, a veneranda guia espiritual de Divaldo Franco, revelou a ele quatro de suas encarnações anteriores, a saber: como Joana de Cusa, na Roma Antiga, contemporânea de Jesus, que foi curada por ele e tornou-se uma de suas seguidoras, e foi morta assim como muitos cristãos a mando de Nero. Depois, foi Chiara D´Offreducci, mais conhecida como Clara de Assis (1194-1253), mais tarde, Santa Clara de Assis (para mais informações, leia neste site o artigo: Francisco de Assis o Obreiro da Caridade). No México, como Juana Inés de La Cruz Miguel Cabrea (1651-1695), foi religiosa, freira da Ordem das Jerônimas e também autora de peças de teatro e poetisa. No Brasil, à época da Independência, foi Joana Angélica de Jesus (1761-1822), religiosa, franciscana, escrivã e vigária, tendo sido morta defendendo o Convento da Lapa, em Salvador, da invasão de tropas portuguesas.

Sobre Chico Xavier muito já foi escrito também no que tange às suas reencarnações pregressas, porém a maioria das informações deixam muitas dúvidas e carecem de confirmação. Através de informações de pessoas dignas de crédito, tais como o de Arnaldo Rocha, o marido de Meimei, e que foi grande amigo do médium mineiro, é seguro dizer que Chico em uma de suas encarnações foi Ruth Céline Japhet, uma das médiuns que recebeu várias mensagens do Plano Espiritual. O próprio Chico confidenciou a ele o fato, em 1946, tendo inclusive corrigido a pronúncia para Japet, pois era um nome judeu.

Já a respeito de Kardec, sabe-se que fora Ian Huss, nascido em 1369 em Husinec, foi um reformador tcheco, formado em Artes e Teologia. Obteve grande êxito como professor e tornou-se Reitor da Faculdade de Filosofia. Ousou opor-se à Igreja, negando a infalibilidade papal, escandalizando-se com o tráfico de indulgências e acreditava que o perdão dos pecados seria obtido por uma penitência sincera e nunca por dinheiro. Defendia ideias avançadas, como a necessidade da reforma e o novo testamento, ou seja, a pessoa de Jesus e os seus ensinamentos. Suas obras foram queimadas, ele declarado herético e condenado a morrer na fogueira, o que ocorreu em 6 de julho de 1415, em Constança na Alemanha. A este laborioso e corajoso espirito, o Alto confiara uma sublime tarefa, a de trazer ao mundo o Consolador prometido, o Espiritismo. Para tanto, reencarna a 3 de outubro de 1804 em Lyon, como Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais tarde Allan Kardec. Leon Denis (1846-1927), em mensagem de 2004 em Paris quando da realização do 4º Congresso Espírita Mundial, em psicografia de Divaldo Franco, comenta: “transferido da fogueira de Constança em 6 de julho de 1415 para os dias gloriosos da intelectualidade de Paris, Kardec dedicou-se ao apostolado da Doutrina ensinada e pregada por Jesus”.

A reencarnação é uma benção divina e há milhões de espíritos esperando pela oportunidade de aqui voltar. Portanto, se aqui estamos devemos aproveitar ao máximo a este momento, respeitando o corpo físico, mantendo-o sempre saudável e promovendo a nossa reforma íntima, superando assim os nossos vícios morais e físicos para que possamos evoluir e tornar a nossa estada aqui menos espinhosa possível.

Por Gilson Tadeu Pereira

Bibliografia:

  • O Evangelho Segundo o Espiritismo de Allan Kardec
  • Eu Sou Camille Desmoulans de Herminio Corrêa de Miranda e Luciano dos Anjos
  • A Noviça e o Faráo de Hermínio Corrêa de Miranda
  • Reencarnação, Investigação Científica do Dr. João Alberto Fiorini de Oliveira
  • O Livro dos Espíritos de Allan Kardec
  • O Céu e o Inferno de Allan Kardec
  • Transição Planetária pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda, em psicografia de Divaldo Franco
  • Casos Europeus de Reencarnação de Ian Stevenson
  • A Gênese de Allan Kardec.
  • O Consolador da Revista Semanal de Divulgação Espírita, edição de 10/04/2011 por Luciano dos Anjos

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