Matéria

Chico Xavier – o Apóstolo do Bem

Francisco Cândido Xavier nasceu em Pedro Leopoldo em 02/04/1910. Era filho de João Cândido Xavier e de Maria João de Deus. Tinha 6 irmãos. Quando tinha apenas 5 anos de idade, com o desencarne de sua mãe, passou a ser criado pela sua madrinha, Rita de Cássia. Era uma mulher perturbada e obsidiada e, por conta disso, batia muito nele. Eram três surras por dia com vara de marmelo, e ainda, como se isso não bastasse, fincava garfos em seu ventre, o que lhe causava enormes sofrimentos.

Dotado de uma extraordinária mediunidade precoce, Chico mantinha contato com a sua bondosa mãe, que sempre aparecia para ele, encorajando-o e confortando-o. O menino, porém, ficava desesperado com os maus tratos recebidos e pedia a ela que o levasse consigo, entretanto, respondia dizendo a ele para ter paciência, pois tudo na vida passa.

Chico foi taxado de louco ao contar para todos que via a sua mãe regularmente e com ela conversava, pois não entendiam a sua mediunidade. Levado por seu pai a um padre, este disse-lhe que ninguém podia conversar depois de morto, sendo Chico uma vítima do demônio. Seu pai deu razão ao padre.

Fim do Martírio

O martírio de Chico acabou após a morte de sua madrinha. Tempos depois, seu pai casou-se novamente, com Cidália Batista, que foi para o menino um verdadeiro anjo, tratando dele e de seus irmãos com um enorme carinho.

Em 1927, é fundado na casa de seu pai o Centro Espírita Luiz Gonzaga. Chico contava apenas com 17 anos e iniciava assim a sua atividade mediúnica. Por esta época, sua mãe pede a ele que estude os livros da Doutrina Espírita.

A Surra de Bíblia

Duas irmãs vítimas de obsessão estavam sendo tratadas no centro. Certa vez, seu irmão José, trabalhador da casa, teve de ausentar-se, Chico então convida um homem bom e rústico de nome Manoel, conhecido pelo povo como tendo uma grande capacidade de dialogar com os espíritos trevosos. Feito o convite, este homem foi para o trabalho portando uma Bíblia debaixo do braço. Chico recebeu uma entidade amiga da casa e a mesma orientou-o a usar o Evangelho com veemência ao conversar com o obsessor. Quando a primeira entidade obsessora começou a falar, o Sr. Manoel não teve dúvidas e começou a bater com a Bíblia na cabeça de Chico, enquanto dizia: “tome evangelho, tome evangelho”. O obsessor sob a influência dos irmãos beneméritos da casa afastou-se, mas Chico sofreu uma torção no pescoço e ficou seis dias de cama curando-se. Mais tarde, como sempre bem-humorado, afirmou que com certeza foi uma das poucas pessoas no mundo a tomar uma surra de uma Bíblia.

O Remédio

Certa noite, Chico encontrava-se muito cansado. Enquanto orava, sua mãe surge e pergunta a ela o que ele devia fazer para cumprir com os deveres. O espírito carinhosamente responde a ele que o único remédio é servir, mesmo àqueles que não queriam ouvir, que ingratos, só criticavam, e servir também àqueles que odiavam o Espiritismo e a Chico pelos seus ensinamentos. E encerrou dizendo que todos temos que aprender a servir, pois sem isso, mesmo que sejamos bem-intencionados, tudo não passará de simples palavras vazias. Uma lição que serve para todos nós.

A Água da Paz

Chico se irritava às vezes quando falava das coisas do Espiritismo e não era compreendido. Uma vez queixou-se à sua mãe que passou a ele um importante ensinamento, explicando que quando alguém o irritasse, que pegasse um pouco de água pura e a conservasse na boca, enquanto ainda tivesse vontade de responder. Que grande lição de tolerância deixou sua querida mãe.

Humorismo Materno

Certa feita, um missionário católico visitou Pedro Leopoldo e fez duras críticas ao então jovem Chico Xavier, já muito conhecido na cidade, dizendo que o mesmo deveria ir para o inferno. O médium ficou chocado com as palavras do padre. À noite, durante as suas habituais preces, sua mãe lhe aparece, e percebe que Chico estava muito chateado, este explica o ocorrido e ela diz a ele que era preciso lembrar que cada pessoa fala daquilo que tem, ou daquilo que sabe, ou seja, cada um dá o que tem. Além disso, ela sorri e diz que para o inferno Chico não iria, e mandou que ele ficasse na Terra mesmo. Mais uma lição, agora no sentido de que não convém dar ouvidos às condenações descabidas.

Isabel de Aragão

Contava Chico com apenas 17 anos de idade, quando seu quarto foi invadido por uma cor lilás de rara beleza, então ele vê uma linda entidade feminina, que diz em espanhol,

“Se le pide que comparta pan com los necessitados, leghara um momento em que tendram recursos” (Solicitam a você a compartilhar o pão com os necessitados, chegará um momento em que terá recursos). Esse iluminado Espírito era Isabel de Aragão, (Ler neste site Isabel de Aragão, Uma Rainha a Serviço do Bem). Chico realizou a tarefa por muito anos, ajudando a mitigar a fome de tantos.

Vá com Deus

Chico só tinha dois ternos. Um deles foi roubado por uma pessoa que entrou em sua casa. Chico não se desespera. Para pegar o ladrão, seus irmãos criam uma armadilha, deixam na janela uma trouxa de roupas, Chico deveria ficar de guarda. Uma noite vê um homem que rouba o fardo. Como ele demorou para dar o alarme seus irmãos ficam enfurecidos. Tempos depois, um desconhecido vem falar com ele e pede perdão, dizendo ter sido o autor do furto, e ao mexer nas roupas vira um bilhete de Chico escrito “vá com Deus”, que o tocou tanto que ele deixou de roubar. Chico então abraça o homem, perdoando-o e exclama: vá com Deus.  Que exemplo de perdão!

O Relógio, o Carro Novo

Chico havia ganhado um lindo relógio e feliz estava usando o presente, quando a caminho da Fazenda Modelo onde trabalhava, encontrou-se com uma senhora conhecida e perguntou-lhe se ela estava tomando os medicamentos no horário determinado, mas esta senhora, muito pobre, respondeu e ele que não pois não tinha como acompanhar as horas. Ao ouvir isso, Chico imediatamente tirou o relógio do pulso e deu-lhe de presente. Certa feita ganhou um carro novo, imediatamente deu o veículo a um conhecido que precisava de um carro para trabalhar. Que lição de desprendimento e amor ao próximo!

O Advento de Emmanuel

Este foi sem dúvida o fato mais marcante da vida de Chico Xavier, e que mudaria para sempre a vida do médium mineiro. O ano de 1931 estava se encerrando, caia a tarde e Chico como sempre fazia orava junto a uma árvore. Então, ele vê uma luz muito brilhante, em forma de cruz, e dela surge uma entidade masculina, trajando uma túnica semelhante aos sacerdotes. Curioso, Chico pergunta quem era e o Espírito apenas lhe responde que havia reencarnado no Brasil como padre (Manoel da Nóbrega, fundador da cidade de São Paulo em 1554), e à época de Jesus, havia sido o senador romano Públio Lentulus. Este Espírito era Emmanuel, que pergunta a Chico se este estava disposto a trabalhar na mediunidade com o Evangelho de Jesus. Com a concordância do médium, o espírito então diz a ele que para tanto era preciso que Chico trabalhasse, estudasse e se esforçasse no bem e, além disso, seria preciso que ele seguisse os três pontos básicos para o serviço, ou seja, disciplina, disciplina e disciplina. Nem precisamos dizer que o grande médium seguiu literalmente essa instrução de seu guia durante toda a sua longa trajetória no Espiritismo.

Jamais Aceitava Dinheiro

Em 1955, Chico havia recebido uma doação de 22 milhões de cruzeiros, a qual repassou toda para o Hospital do Fogo Selvagem. Certa feita, Frederico Figner, que mais tarde no plano espiritual adotaria o pseudônimo de Irmão Jacó, doa a Chico um cheque de um valor tão apreciável que seria o suficiente para que o amorável médium deixasse de trabalhar profissionalmente e se dedicasse somente aos serviços doutrinários. Polidamente ele recusa e doa o cheque para a Federação Espírita Brasileira montar um parque gráfico para a impressão de livros espíritas. Convém lembrar que naquela época ele e seus familiares enfrentavam grandes dificuldades financeiras. Em outra oportunidade, uma senhora agradecida por ter recebido uma mensagem de seu pai doa a ele 200 cruzeiros para que ele comprasse um presente, mas ele recusa educadamente, dizendo que jamais poderia aceitar doação em dinheiro, pois tudo o que recebia vinha de graça, do mais alto, por misericórdia imensa do Pai, e que devia dar de graça, para continuar digno do benefício que recebia. Três grandes lições de desprendimento, caridade e amor ao semelhante.

O Rapaz da Livraria

Mesmo tendo estudado pouco, Chico era um leitor contumaz. Em uma ocasião foi a uma livraria em Belo Horizonte na qual um dos vendedores era um admirador de seus livros e queria conhecê-lo. Sabendo disso, os outros vendedores comentaram o fato com ele e, então, o médium, solícito, caminha em direção ao rapaz, mas este ao vê-lo usando um terno tão surrado, não acreditou tratar-se de Chico Xavier dizendo a ele “quem dera você fosse o Chico”, que serenamente lhe respondeu “é verdade, meu irmão, quem dera que eu fosse”. Que lição de humildade ele passou a todos.

De Pedro Leopoldo para Uberaba

Seguindo orientações dos benfeitores espirituais, em janeiro de 1959 Chico mudou-se para Uberaba. Inicialmente trabalhando no centro Comunhão Espírita Cristã, desligando-se posteriormente dessa casa e vindo a fundar o Grupo Espírita da Prece, em 1975. Recebeu nesta instituição milhares de pessoas, mães desesperadas em busca de notícias de seus filhos mortos, pessoas assombradas pelo remorso de terem praticado o aborto, outras pediam receitas para seus males. Além disso, formou um grupo de trabalhadores que iam com ele à casa das pessoas, levando consolo, apoio e esperança aos necessitados.

Efeitos Físicos

Chico também tinha essa capacidade mediúnica, certa feita Divaldo Franco teve um sério problema de garganta e os médicos disseram que ele deveria parar de falar. Então, vai a Uberaba visitar o Chico, e este promove a materialização de Sheila, que cura Divaldo, usando um aparelho parecido com uma caneta. Mais tarde, Emmanuel orientaria Chico para que ele parasse com a atividade, voltando-se exclusivamente para a psicografia.

Tinha Vidência no Tempo

Certa vez, a mãe de um menino consulta Chico e, em desespero, diz a ele que os médicos queriam amputar as duas pernas do garoto que já não tinha braços e não falava, Chico diz a ela para seguir o que os médicos diziam, pois ele veio nessa condição porque fora um suicida em vidas passadas, e que agora estava pensando em fazer o mesmo, mas a providência divina estava ajudando-o ao impedir de andar para que não fizesse de novo, assim ele viria com menos sofrimentos na próxima encarnação.

Nos Estados Unidos

Em 1965, Chico empreende a sua primeira missão internacional indo aos Estados Unidos a fim de auxiliar aos espíritas brasileiros lá residentes, e funda o Christian Spiritual Center, cujo objetivo era a divulgação da doutrina para os americanos.

No Programa Pinga-Fogo

Chico participa em 1971 do programa Pinga-Fogo, na extinta TV Tupi. Foi crivado de perguntas e a elas respondeu com doçura e personalidade. A atração ficou três horas no ar, e atendendo a insistentes pedidos, o programa foi reprisado por três vezes nas semanas seguintes. Depois desse evento, os livros espíritas passaram ser mais vendidos e o Espiritismo mais aceito, com consequente surgimento de mais centros espíritas.

Mensagem Salvadora

Poucos anos após um fato grave ocorrido em 1978, mostra como Chico gozava de uma enorme credibilidade. Dois amigos, José Divino e Maurício Garcez, brincavam com um revolver quando a arma dispara levando Maurício ao desencarne. Inconformados, os pais visitam Chico Xavier e recebem mensagem do filho, onde este inocenta José Divino, dizendo que a arma havia disparado acidentalmente. A mensagem foi enviada ao juiz que julgava o caso, este autentica a mesma, isenta Divino e encerra o caso.

Luz no Hospital

Um dos aspectos mais curiosos sobre a vida de Chico Xavier era a sua ojeriza diante da possibilidade de um dia vir a ser internado. Entretanto, não teve como evitar porque em 2001, um ano antes de sua desencarnação, muito debilitado foi encaminhado ao Hospital Dr. Hélio Angotti em Uberaba, a fim de tratar de uma grave pneumonia. Os médicos disseram que seu estado era grave. Evidentemente que a notícia de sua internação ganhou destaque no Brasil todo. Um repórter cinematográfico havia posicionado uma câmera na frente do prédio, esse equipamento flagrou um feixe luz entrando rapidamente pela janela de seu quarto, vindo do alto, e dividindo-se em dois. Minutos após, um médico que veio examiná-lo viu que Chico havia melhorado muito, e pouco tempo depois teve alta. Perguntado sobre o ocorrido, Chico humildemente explicou que as luzes eram o espírito de sua mãe e de Emmanuel, em visita para pedir a ele paciência e comentando que sua tarefa ainda não havia terminado.

Os Livros Psicografados

Em sua longa jornada na Terra, Chico Xavier psicografou 451 livros, o primeiro foi Parnaso de Além-Túmulo de 1932. A obra é uma coletânea de poesias de espíritos como Castro Alves, Augusto dos Anjos e Auta de Souza (veja a matéria em nosso site: Auta de Souza, a poetisa rediviva).

De autoria de Emmanuel, Chico psicografou 109 livros, dos quais destacamos, Paulo e Estevão, considerado um dos melhores livros espíritas do século 1920. Depois, Há Dois Mil Anos, 50 Anos Depois, Renúncia e Ave Cristo.

De André Luiz, Nosso Lar, Missionários da Luz, Nos Domínios da Mediunidade.

Além desses, psicografou livros de Humberto de Campos, como Brasil, Coração do Mundo Pátria do Evangelho. De Meimei, Pai Nosso. DeCornélio Pires, Retratos da Vida, Pétalas da Vida.De Bezerra de Menezes, Bezerra, Chico e você. De sua mãe, Maria João de Deus, Cartas de uma Morta.

Estima-se que, no total, foram vendidos mais de 40 milhões de exemplares, e um detalhe importante, Chico jamais lucrou um centavo sequer, pois todo o produto da venda ia para as mais de duas mil instituições de caridade e espíritas que ele ajudou.

O Notável Chico Xavier e sua Imensa Obra

Importante mencionar que a vida de Chico sempre foi muito difícil, em um determinado momento chegou a passar fome. Começou a trabalhar muito cedo, foi vendedor, tecelão, datilógrafo e trabalhou em uma fazenda. Aposentou-se como funcionário público, no Ministério da Agricultura.

Espírito missionário, verdadeiro apóstolo moderno de Jesus, a contribuição de Chico Xavier ao Espiritismo pode ser considerada como incomensurável. Ele se definia como um cisco, cisco Xavier, e que era apenas uma simples tomada entre dois mundos. Antes dele, o Espiritismo passava quase despercebido no Brasil.

Além de seus livros, verdadeiros tesouros doutrinários através dos enormes ensinamentos que trazem a todos, voltou-se unicamente para o bem ao próximo, esquecendo-se dele mesmo. Era um exemplo de renúncia e de abnegação. A exemplo do Cristo, jamais recusou-se a atender a quem o procurasse, foi um trabalhador incansável, ajudou a mais de 2.000 instituições de caridade, tais como orfanatos e lares de deficientes.

Recebeu ao longo de sua vida mais de 1 milhão de mensagens, escritas em 13 idiomas. A sua forte presença no cenário da Doutrina estimulou a abertura de novos centros pelo país. Nas palavras de Divaldo Franco, seu amigo de longa data, Chico era “extremamente simples, humilde, de coração puro, foi uma personalidade fascinante, e espírita fiel”.

Foi considerado como o mineiro do século em pesquisa feita pela Rede Globo em 2000, e como o maior brasileiro da história pela revista Época em 2006. Dois filmes foram lançados mostrando a sua vida: “Chico Xavier” em 2010 e “As mães de Chico Xavier” em 2011. Ambos foram sucesso de bilheteria.

Desencarne

Em 30/06/2002, aos 92 anos de idade, Chico Xavier torna à Pátria Espiritual. Do alto de sua imensa humildade e bondade, ele dizia que gostaria de desencarnar no dia em que o Brasil estivesse muito feliz. E conseguiu, pois neste dia o país estava em festa comemorando o título de pentacampeão mundial de futebol. No começo da noite foi deitar-se e ainda perguntou quanto havia sido o resultado do jogo, ao saber, apenas sorriu. Eram 19h20, fez uma prece e desencarnou em seguida. Seu desencarne teve uma grande repercussão. Perto de 200 mil pessoas foram ao velório que durou dois dias, e mais de 40 mil acompanharam o cortejo até o Cemitério São João Batista, onde foi sepultado.

Foi sem dúvida um dos mais evoluídos espíritos que reencarnaram na Terra. Seguir os seus exemplos é um desafio para todos nós. Joanna de Ângelis em mensagem ditada a Divaldo Franco em 2002, narra que “após o desencarne, Chico ascendeu nos rumos do infinito, sendo recebido por Jesus, que o acolheu com a sua bondade, dizendo-lhe: ‘descansa por um pouco, a fim de esqueceres as tristezas da Terra e desfrutares das inefáveis alegrias do Reino dos Céus’”.

Por Gilson Tadeu Pereira

Bibliografia:

  • O Homem que Falava com Os Espíritos de Luis Eduardo de Souza
  • Mensagens de Inês de Castro pelo Espírito Inês de Castro e psicografia de Chico Xavier
  • Palestra de Divaldo Franco “Histórias de Chico Xavier, como nunca te contaram”  https://www.youtube.com/watch?v=yDtL1FIIhfo
  • Lindos Casos de Chico Xavier de Ramiro Gama
  • Até Sempre, Chico Xavier de Nena Alves
  • Chico Xavier, Luz em Nossas Vidas de Nena Alves

Deixe um comentário