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O Poder da Prece

É muito importante que todos nós desenvolvamos o hábito de fazer preces, até porque essa atitude revela que temos fé, algo imprescindível para o nosso bem-estar físico, mental e emocional.

Allan Kardec, à pergunta 659 de O livro dos Espíritos, ao inquirir sobre o caráter da prece, obtém a seguinte resposta: “A prece é um ato de adoração”, adorar a Deus é fazer o bem e evitar o mal, extinguindo o orgulho, o egoísmo e as outras falhas morais que possamos ter. “A prece também é pensar em Deus, aproximar-se dele, é pôr-se em comunicação com Ele. Pela prece podemos fazer três coisas: louvar, pedir e agradecer”. Louvar é reconhecer a grandeza e a obra de Deus, quando por exemplo olhamos o firmamento, o mar, os seres da criação. Pedir aos bons espíritos que nos inspirem para conseguirmos algo, e para que possamos obter a nossa melhora moral. E agradecer, por tudo aquilo que conquistamos, e mesmo até pelos nossos infortúnios, pois estes servem para o nosso aprendizado, para a nossa evolução.

Sem um Local Específico

Para fazer as preces não é necessário que se tenha um local apropriado para isso, poderemos e deveremos fazê-las em qualquer lugar, em casa, em um hospital em visita a um enfermo, a um velório, ao prestar nossas homenagens a alguém que desencarnou.

Hospitais e cemitérios são locais de muito sofrimento, pois certamente alguns espíritos desconhecedores de sua condição de desencarnados, ficam ali retidos, e podem inadvertidamente nos acompanhar, não para prejudicar, mas sim, em uma muda tentativa de serem ajudadas. Assim, ao adentrarmos a esses locais, devemos pedir proteção, justamente para que esses infelizes irmãos possam ser enviados ao plano espiritual, tendo o devido esclarecimento e libertando-se.

Ao usarmos o transporte público, ao irmos ao supermercado, façamos uma prece, sempre pedindo proteção contra a vibração heterogênea reinante nesses ambientes. Quando saímos a passeio, ou quando fazemos uma viagem, oremos para que tudo corra bem, sem incidentes. E é claro, oremos sempre quando adentrarmos à Casa Espírita, pondo-nos em união com as entidades que prepararam o ambiente muito antes de nossa chegada, e ali permanecem.

Portanto, devemos ingressar no local não só de corpo físico, mas também de espírito, esquecendo, pelo menos por alguns minutos, das nossas mazelas e dos compromissos vindouros.

Como Orar

Jesus ensinou a todos o hábito de orar, e ele orava muito. Espírito superior que é, mesmo assim pedia a Deus que lhe desse forças para suportar os escolhos de sua messiânica tarefa. É Ele quem nos orienta: “Quando orardes, não vos ponhais em evidência, antes orai em secreto. Orai, enfim, com humildade, como o publicano, e não com orgulho, como o fariseu”.  Devemos, pois, orarmos com o coração, falemos pouco, o que mais vale é a intenção do que longos discursos, oremos enfim com simplicidade.

Deus conhece todas as nossas necessidades, entretanto, isso não significa que não devemos expô-las através da prece, mas renunciar a ela é ignorar a bondade de Deus, é rejeitar para si mesmo a sua assistência, a nossa consolação.

A ação da prece se dá pelo pensamento, quando dirigida a alguém, no plano espiritual ou na Terra, uma espécie de energia se estabelece, transmitindo os nossos pensamentos assim como o ar transmite o som. É assim que os espíritos ouvem as nossas orações.

Pedi e Obtereis, Ajudá-te Que o Céu te Ajudará

Essa máxima é real, verdadeira, porém, não basta pedir, a própria pessoa deve ajudar-se fazendo a sua parte, e não esperar ser atendida sem o mínimo esforço, pois a verdade é que os espíritos a quem solicitamos ajuda não resolverão os nossos problemas. Assim sendo, ao pedir é preciso ter fé, determinação, vontade, confiança em Deus, sempre, para que possamos obter a solução desejada. Como nos exemplos a seguir:

  • Um homem encontrava-se perdido no deserto, a sede o consumia feroz, enfraquecido, deita-se exausto, e pede firmemente a Deus que o assista, um bom espírito dele se aproxima e sugere a ele que se levante e siga por um dos caminhos que tem diante de si, então, o homem ajudando-se, levanta e mais adiante vê um riacho, que lhe salvou da sede.
  • No livro Nosso Lar,capítulo II, André Luís, é resgatado do Umbral, onde sofria muito; ao pedir com muita convicção e por muito tempo, que Deus o socorresse. Assim, de repente, aquela névoa densa que o envolvia dissipa-se e surge diante dele benevolente entidade de nome Clarêncio, que o ajuda e conduz à Colônia Nosso Lar.
  • No Livro Chico Xavier, Lindos Casos, de Ramiro Gama, o autor narra um episódio da vida do grande médium mineiro, então aos cinco anos de idade, que estava a três dias sem comer, pois sua madrinha Rita de Cássia, além das surras que lhe dava, privava-o de alimentar-se. Sua mãe, sempre presente lhe aparece e pergunta o que estava acontecendo e Chico narra a ela o que se passava, calmamente, o bondoso espírito lhe diz: “Meu filho, ore firmemente e espere um pouco”. Assim o menino obedece, rezando o Pai Nosso com muita fé. De repente, um enorme cão, surge carregando um jatobá, e deixa-o cair presenteando-o a Chico. Novamente sua mãe aparece e lhe diz despedindo-se, “misture o jatobá com água e terá um bom alimento, está vendo meu filho? Quando oramos com fé viva, até um cão pode nos ajudar em nome de Jesus”.

Preces Para Os Mortos

Não devemos jamais esquecer de orar pelos mortos, daqueles que quando encarnados foram nossos parentes, tios, primos, avós, pais, amigos e conhecidos que já partiram. A lista é extensa. As preces por eles recebidas faz com que se alegrem com a nossa lembrança, além de proporcionar-lhes um imenso bem-estar.

Preces Pelos Espíritos Sofredores

Há no plano espiritual incontável número de espíritos que se encontram em situação muito aflitiva, como decorrência das más escolhas feitas durante a experiência no corpo físico, em função do mau uso do livre-arbítrio. Ao orarmos por eles, sentem-se menos abandonados e menos infelizes. As preces os ajudam no sentido de se elevarem pelo arrependimento e à reparação, que graças à bondade infinita do Pai, terão a oportunidade de obter nas próximas experiências na carne. Orar por eles também é um ato de caridade de nossa parte, dando-lhes a indispensável coragem para que voltem e se redimam de seus erros.

No livro O Céu e o Inferno, uma das obras básicas do Espiritismo, na 2ª parte, há inúmeros casos de espíritos sofredores, atendidos em diálogos em sessões mediúnicas, como nos exemplos abaixo:

  • François Riquier, quando encarnado tinha sido um homem avarento e muito popular. Era uma pessoa solitária. Durante a sua existência preocupou-se apenas em acumular dinheiro e propriedades, tendo deixado uma grande fortuna aos seus parentes. Extremamente agarrado aos bens materiais, sofria angustiado ao ver que tudo aquilo que amealhara havia sido repartido e, inconformado, queria tudo de volta. Sua ligação à matéria era tão grande, que não sabia que havia desencarnado. Assim, pediu para que orassem por ele para poder esquecer dos bens terrenos que agora o martirizavam, podendo através das preces, libertar-se daquele apego doentio.
  • Lisbeth em 1712, quando encarnada na Prússia, havia sido nobre, sendo possuidora de uma beleza ímpar, e tinha uma enorme riqueza. Era egoísta, insensível, queria todos aos seus pés e oprimia àqueles que ousassem colocar-se contra ela. Atormentada pelo orgulho, retratado em sua arrogância e prepotência, este era para ela motivo de sofrimento. Pedia preces para que dele pudesse libertar-se para encontrar ao menos um pouco de paz.
  • Claire, em sua última encarnação, era dominada por um sentimento exagerado de orgulho e de egoísmo. Os únicos pensamentos que lhe vinham, era o de seu próprio bem-estar e nos bens materiais. Para ela, nada mais tinha valor. Agora no plano espiritual arrependia-se do tempo perdido, de não ter feito nada em auxílio ao próximo, e por isso sofria intensamente. Pedia que se fizessem orações por ela, tão miserável que era, conforme comentou.

Os exemplos em tela, mostram que as atitudes infelizes quando na matéria, conduzem os espíritos a sofrimentos morais, que podem persistir por muito tempo, atrasando a evolução dos mesmos. Não há no plano espiritual um tribunal adrede preparado para julgar os que lá chegam, porque a própria consciência é o nosso principal e mais severo juiz.

Nada, porém, se compara aos enormes padecimentos também físicos que sofrem os infaustos que optam por tirar a própria vida, como vemos no livro O Semeador de Estrelas de Suely Caldas Schubert, no capítulo “O Suicida do Trem”.

Há muitos anos, um homem, pai de 10 filhos, havia tirado a própria vida atirando-se na via férrea. Divaldo Franco, teve conhecimento do fato, pois a imprensa deu um grande destaque ao funesto acontecimento, e comoveu-se. Passou então a orar toda a noite para aquele espírito, como o fazia também para muitos outros. Passaram-se longos quinze anos, certa feita, surge diante dele uma entidade dizendo que Divaldo era a única pessoa que orava por ele, que quando em vida, em ato impensado, atirara-se na linha férrea. Emocionado, relata ao médium baiano que quando este a ele dirigia as preces, conseguia livrar-se da cena constante e dolorosa do monstro de ferro a estraçalhar o seu corpo, e que agora, graças às orações para ele dirigidas, poderia preparar-se para redimir-se em futura encarnação.

Santo Agostinho e a Prece

Formidável espírito, um dos luminares que ajudaram Kardec na codificação, Santo Agostinho é o autor desse importante texto sobre a prece, item 23, do capítulo XXVIII, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, aqui resumido:

“Homens incrédulos, como são tocantes as palavras que se desprendem dos lábios na hora da prece! A prece é o orvalho divino que aplaca o calor excessivo das paixões. Filha primogênita da fé, ela nos encaminha para a senda que conduz a Deus. Avançai, avançai pelos caminhos da prece e ouvirão as vozes dos anjos, e vós também como ensinou e fez o Cristo, orai!”.

Por Gilson Tadeu Pereira

Bibliografia

  • O Evangelho Segundo O Espiritismo – capítulo XXVII
  • O Livro dos Espíritos, pergunta 659
  • Nosso Lar, de André Luís, psicografia de Chico Xavier
  • O Céu e o Inferno – 2ª parte, de Allan Kardec
  • Chico Xavier – Lindos Casos – volume 2, de Ramiro Gama
  • O Semeador de Estrelas, de Suely Caldas Schubert

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