Amar ao Próximo como a ti Mesmo

Esta lição, do capítulo XI de O Evangelho Segundo o Espiritismo, retrata mais uma das inúmeras passagens da vida de Jesus Cristo, carregada de ensinamentos dos mais profundos. Os fariseus estavam reunidos junto a ele, e um deles que era “doutor da lei”, dele aproximou-se e perguntou: “Mestre, qual é o maior mandamento da lei?”, Jesus lhe respondeu: “Amarás a Deus sobre todas as coisas, este o maior e o primeiro mandamento”.

Para que possamos amar a Deus é necessário reconhecê-lo como a inteligência suprema, causa primária de tudo o que existe, respeitar as suas obras, a natureza e os animais, e principalmente praticar o bem, auxiliando ao próximo sendo caridoso com ele.

Jesus completou, ensinando sobre o segundo mandamento: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Amar no sentido profundo do termo, traduz-se ao sermos leais, honestos, solidários com as dores do próximo, e na intenção de suavizá-las através da prática da caridade. Como sabemos, caridade é a benevolência para com todos. Ela é material, através de doações de roupas, alimentos, e moral, quando requer a tolerância para com as imperfeições alheias, e a prática do perdão. A caridade também é abnegação, ou seja, o sacrifício dos próprios interesses em favor de uma pessoa ou pessoas e de uma causa. Quanto ao próximo, este pode ser qualquer pessoa que necessite de nossa ajuda material ou moral, sem distinção de raça, credo, laços familiares ou classe social.

Jesus jamais perguntou nada àqueles a quem ajudou, simplesmente auxiliou, escutou, curou. A ele não interessava se diante dele havia um egípcio, um grego, um romano, uma mulher de má vida, pois com o seu imenso amor às criaturas e sua perfeição moral na qualidade de Espírito puro, via a todos como irmãos.

Amar a ti mesmo, e para que possamos assim proceder, é necessário que venhamos a promover a mudança interior, a reforma íntima, através do autoconhecimento, superando os nossos vícios morais, como o egoísmo, orgulho, vaidade, avareza e outros.

Encerra ainda esta lição, a necessidade de fazer aos outros aquilo que desejássemos que fizessem a nós mesmos, e esse ensinamento passa também pela necessidade da prática do perdão, como ensina Jesus no exemplo abaixo.

Parábola do Credor Impiedoso

Um rei certa vez cobrou um de seus servidores que lhe devia muito. Mas ele não tinha como pagar, desesperado, implorou: “Senhor, tem um pouco de paciência, e eu lhe pagarei tudo”. Então, o rei apiedou-se dele deixando-o ir e perdoou a dívida, porque era misericordioso, justo e bom.

Ocorre que este mesmo homem era credor de outro, mas de uma quantia muito menor, mas não o perdoou, mesmo este tendo implorado por paciência e que lhe pagaria tudo. Entretanto, o homem impiedoso mandou prendê-lo até que pagasse a dívida.

Na interpretação da parábola, vemos que o rei, o senhor, é Deus, e a dívida era moral, não financeira. O servidor endividado representa todos nós, que ao pedirmos perdão a Deus, por nossas dívidas, este nos perdoa, dando-nos a oportunidade de pagá-las no curso de nossas reencarnações.

O credor impiedoso representa a todos aqueles que obtiveram o perdão de suas grandes dívidas e prometeram agir da mesma forma para com os seus semelhantes, mas não cumprem, recusando-se a perdoar mesmo àqueles que lhes devem muito pouco.

Jesus Ensina a Pedro

No livro Boa Nova, pelo Espírito Humberto de Campos e psicografado por Chico Xavier, o autor apresenta o diálogo completo entre Jesus e Pedro, quando o apóstolo pergunta ao Mestre quantas vezes deveríamos perdoar? Se até sete vezes?, e Jesus lhe responde: “deveremos perdoar setenta vezes sete vezes”, indicando assim, que deveremos perdoar sempre.

O Perdão

É um ato de bondade, necessário para a nossa evolução, é um pilar da caridade e da evolução moral. Quando não perdoamos ficamos presos àqueles que nos trazem sofrimento e tormento. Perdoar não é esquecer, mas libertar-se da mágoa, lembrar sem sentir dor ou desejo de vingança.

O Exemplo de Chico Xavier

Chico Xavier tinha um sobrinho de nome Amauri Pena Xavier, filho de uma de suas irmãs. Em 1958, ele alegou que o tio falsificava as cartas psicografadas e os livros, sendo todos frutos de sua imaginação, portanto, sem a interferência de nenhum espírito. Essas acusações foram publicadas pela imprensa, e isso causou um enorme escândalo na época, atingindo a excelente imagem pública do médium e a credibilidade do movimento espírita.

Chico, embora magoado, manteve-se calado, não lamentou, nem muito menos demonstrou qualquer revolta, e continuou servindo ao próximo, com a dedicação e amor de sempre vindo a perdoar o sobrinho incondicionalmente. O próprio cunhado do médium, pai de Amauri, saiu em sua defesa dizendo que o rapaz vítima do alcoolismo não deveria ter agido daquela maneira injustificável.

Não muito tempo depois, o moço ainda mais intensamente mergulhado no álcool, escreveu uma carta a Chico desculpando-se e pedindo perdão. Ao receber a missiva, o médium mineiro, emocionou-se, lembrando, porém, que já o havia perdoado há muito.

Os Exemplos de Jesus

Um dos exemplos mais marcantes da prática do perdão foi deixado a todos por Jesus, quando já crucificado e momentos antes de desencarnar, exclamou reunindo as forças que ainda tinha, referindo-se àqueles que haviam tramado a sua morte: “Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem”.

Jesus, dias depois de seu desencarne, perdoou a Judas por tê-lo acusado e causado a sua consequente condenação e morte; indo antes de ascender às mais altas esferas, ao encontro do mesmo, nas regiões densas do umbral, a fim de resgatá-lo, pois Judas em desespero e remorso pela morte do Mestre, veio a suicidar-se.

Dai a César o que é de Cesar

Os fariseus perguntaram a Jesus se seria justo pagar o tributo a César. Eles tinham aversão ao pagamento de impostos, que eram altos. Foi uma pergunta ardilosa, pois viviam provocando o Mestre para que se mostrasse contrário ao domínio romano. Percebendo a sua malícia, Jesus pede que lhe apresentem uma moeda e, ao pegá-la, Jesus lhes diz: “De quem é essa moeda e inscrição”?, ”De César”, respondem”, então Jesus lhes diz: “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”!

Jesus, nessa importante passagem, nos dá um exemplo de justiça, dizendo que desse a cada um, o que lhe pertencia, além disso, reforça a necessidade de fazer aos outros aquilo que queríamos que nos fizessem, condenando ao mesmo tempo, todo o prejuízo moral e material que se possa causar ao próximo.

A Lei de Amor

O amor resume toda a doutrina de Jesus, porque é o sentimento por excelência que nos ensina que todos devemos amar ao próximo indistintamente, para tanto é preciso vencer o egoísmo e outras falhas morais. O egoísmo, entretanto, é a pior delas.

O Egoísmo

O egoísmo se traduz na indiferença pela dor alheia, pensar só no próprio bem-estar mesmo que o próximo esteja em aflição. É o vício moral mais difícil de ser vencido, o pior de todos, é a verdadeira negação da caridade. Impossível praticá-la se formos egoístas. Assim devemos derrotá-lo caso sejamos portadores dele. Mas para isso é preciso que tenhamos fé, que nos dá a força interior para conseguir vencê-lo, e assim seremos caridosos com o próximo.

Pôncio Pilatos

À época de Jesus, Pôncio Pilatos era o governador da província romana da Judeia. O mestre foi levado à presença do romano, que se surpreendeu ao ver uma figura humilhada e cambaleante, onde aquele homem parecia-se com um rebelde, um perigoso facínora como alardeavam os seus inimigos? Pilatos poderia ter evitado a condenação de Cristo, mas movido pelo seu egoísmo, pensando no seu status, no seu alto cargo, lavou as mãos e deixou que executassem um inocente.

As Oportunidades da Prática de Amor ao Próximo

Para que possamos praticar o amor ao próximo, praticando a caridade, não é necessário que sejamos ricos, basta apenas que tenhamos vontade de fazê-lo. Nas situações mais simples, quando tratamos com pessoas, amigos, familiares, sendo gentil com todos. Ao aprendermos a ouvir um semelhante em aflição, seus dramas, suas queixas. Ser indulgentes, entendendo e perdoando as falhas alheias porque também as temos.

Podemos também prestar serviço voluntário junto a uma Casa Espírita, na Assistência Social, na Evangelização Infantil, ministrando passes, ou no trabalho mediúnico, no diálogo com Irmãos infelizes.

Que possamos praticar os ensinamentos constantes nessa lição do Evangelho, desta forma estaremos dando um importante passo em busca de nossa evolução.

Gilson Tadeu Pereira

BIBLIOGRAFIA

LIVRO: BOA NOVA, pelo Espírito Humberto de Campos e psicografia deChico Xavier.

PROJETO SABER E MUDAR, sobre a acusação do sobrinho a Chico Xavier.

LIVRO: Coração e Vida, do Espírito Maria Dolores, psicografia de Chico Xavier, sobre o perdão de Jesus a Judas, cap. 14, “Amor e Perdão”.

O Sublime Peregrino peloEspírito Ramatís, psicografia de Hercílio Maes. Cap.XXX, Jesus e Pôncio Pilatos.