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Animismo e Mistificação

Sendo o médium o intermediário entre os dois planos, dele se utilizam os espíritos para trazer a sua palavra aos encarnados. Existem vários tipos de médiuns e mediunidades conforme nos ensina O Livro dos Médiuns em seu capítulo XIV. Assim, temos os médiuns de efeitos físicos, sensitivos, audientes, falantes, videntes, sonâmbulos, curadores, pneumatógrafos, escreventes ou psicógrafos.

Emannuel, o grande orientador espiritual de Chico Xavier, ensina que “os médiuns são almas que fracassaram desastradamente. No seu pretérito cometeram graves deslizes e erros clamorosos. Quase sempre são espíritos que tombaram pelo abuso do poder, da autoridade, da fortuna e inteligência, e que assim através do trabalho junto ao próximo, resgatam o seu passado obscuro e delituoso”. A prática mediúnica somente será completa se o médium desenvolver o hábito de estudar regularmente a Doutrina.

Cabe aos médiuns falantes a importante tarefa de permitir que os Espíritos possam passar a sua mensagem. Esses transmitem as suas ideias mentalmente para o médium ao mesmo tempo que atuam sobre os seus órgãos da palavra, possibilitando assim que fale. No caso dos médiuns psicógrafos ou escreventes, além de atuarem sobre a mente do médium, os espíritos o fazem também sobre o seu braço e a sua mão, permitindo que ele escreva o que está sendo passado.

Existem médiuns conscientes, inconscientes e os semiconscientes. Os médiuns conscientes reproduzem no seu próprio vocabulário a mensagem que a entidade está passando. Finda a comunicação, o médium lembra-se quase totalmente do que lhe foi passado. No caso dos inconscientes, como diz Kardec em O Livro dos Médiuns, “o médium se exprime geralmente sem ter a consciência no que diz, e também diz coisas completamente fora de suas ideias habituais, de seus conhecimentos e mesmo do alcance de sua inteligência”. Pode ser uma pessoa humilde, de poucos estudos, mas pode receber a mensagem de um Espírito que quando encarnado fora um cientista, por exemplo. E, finalmente, quanto aos médiuns semiconscientes, como o próprio nome diz, o médium recebe as ideias do espírito, todavia ele pode interferir no que lhe é passado. Terminada a mensagem, o médium tem uma vaga lembrança do que foi transmitido.

Esses são fenômenos mediúnicos, quando o médium recebe e transmite as ideias dos espíritos desencarnados ou encarnados. Porém, há também o animismo, momento pelo qual o médium passa a exteriorizar impressões e relatos de suas encarnações pretéritas, não havendo neste caso o concurso de uma entidade desencarnada a transmitir-lhe algo. Kardec ensina que “a alma do médium pode comunicar-se como a qualquer outro. É fora de dúvida que o espírito do médium pode agir por si mesmo”.

André Luís sobre essa questão ensina: “frequentemente pessoas encarnadas nessa condição regeneradora (como médiuns), são encontráveis nas reuniões mediúnicas, mergulhados nos mais complexos estados emotivos, como se personificassem entidades outras, quando, na realidade exprimem a si mesmas, a emergirem nos trajes mentais em que se externavam noutras épocas”.

Há de se considerar que sempre haverá uma pouco de animismo nas comunicações pois como ensina Kardec: “com efeito, se bem que o pensamento lhe seja todo estranho, e que o assunto seja totalmente fora do âmbito em que ele se move, se bem o que o espírito quer dizer não provenha dele, nem por isso deixa o médium de exercer influência, no tocante à forma, pelas qualidades e propriedades inerentes à sua personalidade”. Isso pode ser facilmente observado quando se conhece as características do espírito comunicante e as do médium. Basta que se analise com critério.

Não devemos confundir animismo com mistificação pois essa é unicamente intencional, ou seja, não há a presença de um Espírito comunicante, assim, o pseudo-médium simula conscientemente uma comunicação mediúnica visando atingir alguém, autopromover-se ou, ainda, falar algo que venha ao encontro do pensamento de uma ou mais pessoas.

Entretanto, há casos em que o médium pode ser vítima de espíritos mistificadores, esses via de regra quando transmitem uma mensagem se apresentam como uma personalidade famosa, às vezes conhecida pela sua elevada evolução moral e espiritual, e ainda há aqueles outros que profetizam sobre eventos futuros datando-os. Pretendem com isso impressionar e enganar.

Kardec ensina como podemos nos prevenir dos espíritos mistificadores: “o objetivo do Espiritismo é o melhoramento moral da humanidade. Se não pedissem aos espíritos nada que fosse fútil, ou fora de suas atribuições, os enganadores jamais lograriam êxito. Então devemos concluir que os mistificados assim o desejam ser. Se o homem recebesse com desconfiança tudo que se afasta do objetivo essencial do espiritismo os espíritos levianos não o enganariam facilmente”.

Emannuel no livro O Consolador tece importante comentário informando que “a mistificação experimentada por um médium traz sempre uma finalidade útil que é a de afastá-lo do amor próprio, da preguiça no estudo de suas necessidades próprias, da vaidade pessoal ou dos excessos de confiança em si mesmo”.

É preciso que todo o espírita desenvolva o seu senso crítico para que evite ser vítima de mistificações e que consiga identificar mensagens suspeitas quando não falsas. Mas para isso é necessário que se pratique o estudo da Doutrina com dedicação pois só assim teremos a capacidade de análise verificando se aquilo que nos é passado por meio da psicografia (mensagem escrita) ou psicofonia (mensagem falada) é digno de crédito, afinal, como ensina Kardec, o espiritismo traz uma proposta que é fundamentada na razão e no entendimento.

Por Gilson Tadeu Pereira

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