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Isabel de Aragão – uma rainha a serviço do bem

O ano de 1270 foi muito importante pois ele marcou o fim das Cruzadas. Além disso, nascia a 11 de fevereiro, em Barcelona, Isabel de Aragão. De família nobre, era a filha mais velha do rei Pedro III de Aragão e de Constança de Hohenstaufen. Quando tinha apenas onze anos de idade, casou-se por procuração com o soberano português D. Diniz, e assim tornou-se rainha de Portugal.

Sem dar importância às questões da nobreza, e pelo título de rainha a ela conferido, Isabel notabilizou-se pela enorme preocupação que demonstrava pelos pobres e jamais mediu esforços para ajudar os menos favorecidos pela sorte. Demonstrava então a elevação de seu espírito. Ela mesma às vezes embrenhava-se pelos bairros mais pobres e levava pão aos famintos. Por onde caminhasse, era seguida por muitos, que tinham a certeza de receber uma ajuda.

Sua humildade e prática da caridade nem de longe faziam supor que ela fizesse parte da nobreza. Isabel sabia que os títulos e os bens materiais nada significavam e sim os valores morais é que contavam, os chamados tesouros no céu1 como nos ensina a doutrina espírita.

O seu edificante trabalho logo tornou-se reconhecido e alguns daqueles pobres e miseráveis a quem ela tanto ajudou passaram a chamá-la de “santa”.

Isabel além da enorme bondade, também protagonizava fenômenos mediúnicos. Certa feita, ao deixar o castelo de Leiria onde residia, em uma manhã de inverno, a fim de distribuir pães aos menos favorecidos, D. Diniz dela se aproximou e perguntou o que levava, no que Isabel a ele respondeu que se tratavam de rosas e, então, os pães que ela trazia transformaram-se em rosas, evidenciando assim um fenômeno de transmutação da matéria2 .Para a história essa passagem é tida como um milagre. O espiritismo, porém, nos ensina sobre a mediunidade e suas manifestações.

Isabel desencarnou em 1336 aos 66 anos de idade.

Uma das mais notáveis passagens da vida de Chico Xavier ocorreu em 10 de julho de 1927, dois dias após o médium mineiro ter feito a sua primeira psicografia. Ao fazer as preces habituais antes de deitar-se, Chico viu que o seu quarto se iluminara com uma forte luz azul prateada, ao seu lado notou a presença de uma entidade feminina que levitava envolta por uma forte luz. Admirado com a cena, Chico, comovido, pediu à entidade que se identificasse. O espírito então ternamente respondeu ao grande médium que ela era Isabel de Aragão. A excelsa entidade comunicou ao grande médium mineiro a tarefa edificante ao qual ele deveria também dedicar-se, ou seja, à distribuição de pães aos menos afortunados. Assim passou a fazer o grande médium mineiro, semanalmente.

No livro No Rumo do Mundo de Regeneração, do espírito Manoel Philomeno de Miranda e psicografado por Divaldo Franco, encontramos emocionante narrativa quando a veneranda irmã segue para um local de enorme sofrimento onde espíritos falidos ali estavam retidos em função de suas infelizes atitudes quando ainda encarnados. Com imenso amor e dedicação, resgata dali muitos que arrependidos faziam por merecer a ajuda.

Isabel de Aragão, também conhecida como Rainha Santa Isabel de Portugal, foi canonizada pelo Papa Urbano VIII em 1625.

No plano espiritual atua incansavelmente nas regiões umbralinas3 resgatando muitos dos espíritos que lá estão.

Sua vida e obra foram magnificamente narrados no livro Isabel de Aragão ditado pelo espírito Monsenhor Eusébio Cintra.

Por Gilson Pereira

1Tesouros no Céu: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXV, são as nossas boas obras durante a encarnação, sendo pessoas de bem, sem apego, humildes, honestos e caridosos.

2Transmutação da matéria: Isabel de Aragão era médium de efeitos físicos, ou seja, ela tinha condições de atuar sobre a matéria bastando para isso o uso da vontade. Assim, atuou sobre a matéria elementar (no caso os pães que carregava no avental), mudando suas propriedades para se transformarem em rosas.

3Regiões umbralinas: locais de muito sofrimento próximos à crosta terrestre para onde vão os espíritos que quando encarnados abusaram de álcool, do consumo de drogas pesadas, viveram em desregramento social ou foram egoístas e avarentos.  

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