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Divaldo Pereira Franco, a Voz do Espiritismo

Divaldo Pereira Franco nasceu em 5 de maio de 1927, em Feira de Santana, Bahia e desencarnou em Salvador, em 13 de maio de 2025. Era filho de Francisco Pereira Franco e Anna Alves Franco. Foi professor, escritor, brilhante orador, filantropo e um extraordinário médium psicógrafo.

Quando jovem, a morte de seu irmão mais velho, deixou-o tão abalado, que o deixou sem o movimento das pernas. Uma prima, veio em seu auxílio, através de uma médium, e esta ajudando-o conseguiu fazer com que ele se recuperasse. Divaldo passa então a dedicar-se ao estudo do Espiritismo.

Em 1945, com apenas 18 anos de idade, muda-se para Salvador trabalhando como funcionário público. Dois anos depois, funda o Centro Espírita Caminho da Redenção.

Joanna de Ângelis e Divaldo Franco

Neste mesmo ano, em 5 de dezembro, ocorre um fato que mudaria para sempre a vida de Divaldo. Ele vê pela primeira vez o Espírito Joanna de Ângelis, emoldurado por uma claridade muito grande, e diz a ele: “Eu tenho a tarefa de caminhar contigo na atual existência corporal, e me empenharei para que nossa tarefa seja coroada de êxito. Contes com a minha presença de amiga na razão direta em eu possa contar contigo nas necessidades do nosso programa”. Movido por uma curiosidade natural, o médium baiano inquiriu a entidade, perguntando a ela como chamava-se e a mesma respondeu sem rodeios:  “Chamo-me ‘Um espírito Amigo’”.

Os anos foram se passando e vendo que Divaldo se incomodava com o anonimato, finalmente concordou, e sorrindo jovialmente, disse: “Bem, tu me chamará Joanna de Ângelis”.

Para que chegasse a essa revelação, foram necessários 10 anos, tendo a própria entidade explicado a Divaldo que ele era ainda muito imaturo, e a demora também trazia em seu bojo uma lição, a de que ele deveria aprender a ter paciência.

Joanna de Ângelis é um espírito elevadíssimo, é, sem sombra de dúvidas, um dos guias espirituais da humanidade, e faz parte da Falange do Espírito da Verdade, junto com Espíritos tais como: Sócrates; Platão; os evangelistas Mateus, Marcos, Lucas e João; Fénelon; Pascal; Erasto; Emmanuel Swedenborg; e Victor Hugo.

Depois, Joanna revelou a Divaldo algumas de suas encarnações anteriores, à época de Cristo como Joana de Cusa, morta na fogueira em 68, por fidelidade a Jesus. Depois, revelou ter sido Clara de Assis, a notável seguidora da Ordem dos Franciscanos, fundada por Francisco de Assis, e fundadora da Ordem de Santa Clara, as Clarissas. No século 18 foi poetisa no México, com o nome de Juana Inês La Cruz, e no Brasil, como Joana Angélica de Jesus (Joanna de Ângelis), vivendo em uma ordem religiosa, tendo sido morta à época da Independência.

A Tarefa de Divaldo

Joanna havia dito a ele que a sua tarefa era voltada para divulgação do Espiritismo pela oratória e pelo exemplo, mas que psicografar era também parte da mesma e se ele estava disposto a cumpri-la, tendo o médium aceitado humildemente a missão. A veneranda entidade diz que o ajudaria, mas que ele não deveria esperar flores em seu caminho, e também estar preparado para receber críticas mordazes e sarcásticas. E isso de fato aconteceu, foi vítima de rancor, injúrias, mas sempre superou todos os obstáculos.

Para cumprir tão difícil compromisso, Divaldo Franco sempre mostrou-se firme e com honestidade de propósitos, seguindo uma disciplina rígida, a renúncia de si mesmo e o amor à causa, exatamente como fizeram os grandes luminares do Espiritismo, tais como: Chico Xavier (ver neste site Chico Xavier, o Apóstolo do Bem), Yvonne Pereira (ver neste site A notável médium Yvonne do Amaral Pereira), Anália Franco (ver neste site Mulheres na Prática Espírita), Eurípedes Barsanulfo, Cairbar Schutel e Adolpho Bezerra de Menezes.

Iniciando a Psicografia das Mensagens de Joanna De Ângelis

Em 1952, inicia a psicografia das mensagens ditadas por Joanna, que eram publicadas em um jornal de Belo Horizonte, chamado “O Poder”.

Entretanto, a primeira obra mediúnica de Divaldo e do elevado Espírito é “Messe de Amor“ oferecendo-nos 60 mensagens abordando os mais variados temas, como solidão e Jesus, disciplina, caridade difícil, culto da oração e inveja.

Fundação da Mansão do Caminho

Neste mesmo ano, em 15 de agosto, funda junto como seu amigo Nilson de Souza Pereira, o complexo de obras sociais do Centro Espírita Caminho da Redenção, a Mansão do Caminho. Atualmente, são 50 edificações distribuídas em um terreno de 78 mil metros quadrados no bairro da Pau da Lima, em Salvador, Bahia. Lá encontram-se escolas, postos de saúde, oficinas e centros de atendimento. As instalações dão suporte contínuo a crianças, jovens e famílias em situação de vulnerabilidade, somando 5.000 pessoas carentes atendidas diariamente nas áreas de educação, saúde e assistência social.

Jamais Aceitava Receber Dinheiro ou Bens Materiais

Há no Evangelho Segundo O Espiritismo uma importante lição que vamos encontrar no capítulo XXVI, Dai Gratuitamente o que Gratuitamente Recebestes.

Com essas palavras o Mestre Nazareno referia-se à mediunidade e a toda ajuda que oferecemos ao nosso próximo, advertindo que jamais deveremos cobrar por esse auxílio, até porque a mediunidade é uma faculdade concedida a todos por Deus, gratuitamente, e não para ser então motivo de ganho, vantagens ou meio de vida.

Divaldo Franco sempre seguiu esse ensinamento, não permitindo jamais a prática da simonia, ou seja, o pagamento por um benefício espiritual concedido.

Certa feita, uma senhora muito rica havia tomado conhecimento sobre o trabalho de Divaldo, e para recompensá-lo, doou a ele uma casa. Surpreso com a atitude, Divaldo educadamente recusou o presente, tendo, porém, combinado com a senhora que aceitaria de bom grado que a casa fosse doada para a Mansão do Caminho. Assim foi feito.

O Poder da Prece

Certa feita, Divaldo soube pelo jornal que um pai de família, com dez filhos, havia cometido suicídio, atirando-se na via férrea. A partir daquele momento passa a orar diariamente para que esse pobre espírito fosse ajudado, e encaminhado ao plano espiritual para esclarecimento. Quinze anos depois, o espírito apresenta-se ao médium, e vem agradecer-lhe pelas preces, dizendo que graças a elas estava feliz, pois agora poderia reabilitar-se do ato insano, preparando-se para a redentora encarnação futura.

O Encontro com Victor Hugo

Corria o ano de 1970. Certo dia Divaldo estava fraco, gripado e repousava em seu quarto. Nesse ínterim vê uma entidade veneranda adentrar ao local e se apresenta: “Eu sou Victor Hugo, e tenho uma tarefa a propor a você, eu gostaria de escrever 10 romances através de ti, levante-se, pegue papel e lápis que irei ditar”. Assim fez Divaldo, abatido, cambaleante. A mensagem se intitulava “O Duque di Bicci di M”, e faz parte do livro Párias em Redenção. Ao terminar a psicografia, estava totalmente curado, passaram a febre e a indisposição.

O Espírito Victor Hugo (1802/1885)

Foi um grande romancista, poeta e dramaturgo. Duas de suas mais famosas obras são Les Miserables e Notre-Dame de Paris. Hugo foi uma grande figura humana, um grande caráter, defendendo a liberdade e os direitos humanos, mostrando assim todo o seu amor pela humanidade.

A tragédia abateu-se sobre ele quando em 1843 sua filha Léopoldine de apenas 19 anos desencarna vitimada por um naufrágio no rio Sena. O fato abalou profundamente a vida de Hugo, fazendo com que mais tarde ele se aproximasse do Espiritismo, buscando uma consolação e entendimento sobre a morte da jovem.

Obediência e Resignação

Apesar dos inúmeros compromissos, das críticas, dos escolhos pelos quais passou, ainda sobrava tempo para passagens curiosas, engraçadas mesmo.

Divaldo estava com um sério problema cardíaco, seu médico havia recomendado a ele repouso absoluto, assim o fez. Certa noite, enquanto descansava, haveria trabalhos no Centro. Joanna de Ângelis, adentra ao quarto e pergunta a ele por que estava deitado, ele lhe responde, que estava doente, com dores no peito, precisava descansar, senão iria morrer. A veneranda entidade, com muita firmeza respondeu, que o que importava aquilo se ela já estava 100% morta e continuava trabalhando. Divaldo levanta-se hesitante, com medo, caminha, entra no Centro, a dor passara, sumira, nunca mais teve qualquer problema.

A Pregação Espírita

Em 1947 Divaldo começou a ministrar palestras no Brasil e no exterior, levou a palavra do Espiritismo a mais de sessenta países e realizou no total mais de 12.000 palestras. Foi o maior divulgador da Doutrina Espírita, por todo o mundo. Sempre bem-humorado, suas conferências prendiam a atenção do público, graças ao seu enorme conhecimento e brilhante oratória. Ele foi a voz do Espiritismo.

Os Livros

Psicografou em torno de 250 livros, totalizando oito milhões de exemplares, e todo o produto da venda, foi doado para a Mansão do Caminho e outras Instituições.

Joanna de Ângelis ditou a ele 70 obras, tais como Autodescobrimento, O Homem Integral, e a série psicológica, composta por 16 volumes, entre eles Conflitos Existenciais e Autodescobrimento: Uma Busca Interior.

De Manoel Philomeno de Miranda, dentre outros, Loucura e Obsessão.

Também psicografou livros de Victor Hugo, Bezerra de Menezes e Amélia Rodrigues.

O Desencarne

Acometido por um câncer de bexiga, Divaldo Pereira Franco veio a desencarnar em 13 de maio de 2025, aos 98 anos. Voltava à Pátria espiritual um personagem que se confunde com a própria história do Espiritismo contemporâneo, na difusão da Doutrina através das palestras que tanto conhecimento e consolo trouxeram para milhares e milhares de pessoas, e também no contundente exemplo da prática constante da caridade moral e material.

 Por Gilson Tadeu Pereira

Bibliografia:

  • O Semeador de Estrelas – sobre a vida e Obra de Divaldo – autoria de Suely Caldas Schubert
  • FEESP – biografias
  • O Evangelho Segundo e Espiritismo, capítulo XXVI – Dai Gratuitamente o Que de Graça Recebestes
  • FEP – biografias

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